"... Fale-nos das hostes secretas do mal, Ó Címon..."
"Seus nomes não podem em voz alta ser pronunciados, para que não profanem lábios mortais, pois emergiam das profundezas das trevas, atacaram os céus, mas foram repelidos pela ira dos anjos..." Diálogos de Quios.
Edward como todo Einar, não apreciava diálogos, gostava de ação. Abandonou a luta nas cidades menores da Irlanda e avançou para Londres. Os quarenta dias no deserto podiam esperar.
Em seu quinto ano na capital do Reino Unido sentia-se cansado e desanimado, dois sentimentos nunca antes percebidos e pela primeira vez na sua mente surgiu a palavra parar.
Edward percorria Trafalgar Square no distrito de West End sempre a pé. Evitava a visão espiritual, pois a miríade de demônios o lembrava da luta que havia desistido. Além do mais, há muito tempo não era desafiado por um demônio, eles o evitavam, sentia-se seguro. Corria ao encontro de sua amada, Irina, uma bela ucraniana, radicada na Inglaterra.
Conheceu Irina em uma área de prostituição em que Edwards empreendia uma luta com mafiosos do lugar contra a prostituição e tráfico de drogas.
Ela mostrara-se aberta a ouvi-lo e rapidamente uniu-se a ele em sua luta. A intenção dela sempre fora seduzi-lo, ela não sabia por que, mas sabia que isso de alguma forma o prejudicava pois era a ordem dos seus donos. Antes disso apaixonou-se, esqueceu-se da ordem e fez tudo por amor.
Apaixonou-se pelo amor e dedicação que aquele homem dedicava aqueles que nada mereciam. O carinho e a delicadeza com que ouvia as queixas e discussões dos casais. A firmeza e a coragem com que enfrentava os soldados da máfia russa e cobrava os policiais corruptos dos guetos londrinos. Não tentava aproveitar-se dela, não havia malícia em seus olhos ou maldade em seu coração, apenas uma vontade imensa em fazê-la conhecer o seu Deus.
Edwards cansou, Irina deu carinho e atenção, o teve em seus braços quando ele chorou, o teve em sua cama quando ele desistiu, o teve em seu coração quando ele ficou cego.
Derrubou o maior guerreiro da luz na Europa e não sabia. Demônios e homens tentaram. Dinheiro e poder sequer chegaram perto.
“Virgulino Ferreira, o Lampião
Bandoleiro das selvas nordestinas
Sem temer a perigo nem ruínas
Foi o rei do cangaço no sertão
Mas um dia sentiu no coração
O feitiço atrativo do amor
A mulata da terra do condor
Dominava uma fera perigosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor”.
Azazel se aproximou por último cautelosamente, o homem estava cercado e sendo devorado espiritualmente por dezenas de demônios menores. Desferiu um único golpe.
Edwards atravessou a rua sonhando com o aconchego dos braços de sua amada. Nada mais sentia em seu espírito, não ouvia mais os anjos e não queria mais lutar. Selou assim seu destino. Sua amada e suas carícias foram seus últimos pensamentos antes de ser atropelado por um playboy em alta velocidade.
Seus primeiros pensamentos no inferno foram de arrependimento. Tarde demais.



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