domingo, 25 de março de 2012

Déjà vu


Abner estava assustado. Não era a primeira vez que aquele homem entrada em seu bar. E toda vez coisas estranhas e fora do seu controle aconteciam.
O bar de Abner está localizado no limite da cidade, sendo a primeira construção para quem vem do deserto. Ninguém vem do deserto.
Abner é um judeu diferente. O bar foi construído com dois objetivos: sair da presença incomoda de sua esposa e ter algo com pouca ou nenhuma mudança.
O lucro é ter paz. Quem procura aquele bar, o procura por bebida e só. Isolado, sem atrativos. Você não encontra amigos lá, apenas bebuns e prostitutas.
Ah, as prostitutas.
Esse era o primeiro dos problemas de Abner. Toda vez que o homem chegava, Abner precisava de novas prostitutas. Da última vez, quase teve que fechar o bar por seis meses.
Não tinha fregueses e nem prostitutas. Os bêbados deixaram de ir lá e as prostitutas, essas nunca mais viu.
Cada vez que o homem chegava Abner deixava um hábito que gostava.
Abner bebia, deixou de beber, Abner comia exageradamente, virou vegetariano, prostituição, drogas, roubo no troco, tudo mudou.
Abner passou a viver insatisfeito, mas não conseguia voltar a vida anterior.
Montou uma loja para a mulher trabalhar, a loja prosperou. Abriu uma padaria, um açougue e um minimercado.
Mas algo o compelia a manter o bar. Já não gostava dos bebuns, nem das prostitutas, mas algo o mantinha preso àquele lugar.
Quando o homem chegou Abner já sabia o que fazer. Um copo d’água mineral, para começar e outros até que ficasse satisfeito.
Desta vez não se aproximaria, não o tocaria, não falaria com ele, não aguentava mais mudanças em sua vida.
Olhava para o homem quando tudo aconteceu. Quando se deu conta, viu dois homens no chão e dois gigantes diante do homem.

Um comentário:

  1. "...para quem vem do deserto. Ninguém vem do deserto."

    Muito legal! Excerto estiloso!

    A estória está ganhando complexidade...

    ResponderExcluir