Abner estava assustado.
Não era a primeira vez que aquele homem entrada em seu bar. E toda vez coisas
estranhas e fora do seu controle aconteciam.
O bar de Abner está
localizado no limite da cidade, sendo a primeira construção para quem vem do
deserto. Ninguém vem do deserto.
Abner é um judeu
diferente. O bar foi construído com dois objetivos: sair da presença incomoda
de sua esposa e ter algo com pouca ou nenhuma mudança.
O lucro é ter paz. Quem
procura aquele bar, o procura por bebida e só. Isolado, sem atrativos. Você não
encontra amigos lá, apenas bebuns e prostitutas.
Ah, as prostitutas.
Esse era o primeiro dos
problemas de Abner. Toda vez que o homem chegava, Abner precisava de novas
prostitutas. Da última vez, quase teve que fechar o bar por seis meses.
Não tinha fregueses e nem
prostitutas. Os bêbados deixaram de ir lá e as prostitutas, essas nunca mais
viu.
Cada vez que o homem
chegava Abner deixava um hábito que gostava.
Abner bebia, deixou de
beber, Abner comia exageradamente, virou vegetariano, prostituição, drogas,
roubo no troco, tudo mudou.
Abner passou a viver
insatisfeito, mas não conseguia voltar a vida anterior.
Montou uma loja para a
mulher trabalhar, a loja prosperou. Abriu uma padaria, um açougue e um minimercado.
Mas algo o compelia a
manter o bar. Já não gostava dos bebuns, nem das prostitutas, mas algo o
mantinha preso àquele lugar.
Quando o homem chegou
Abner já sabia o que fazer. Um copo d’água mineral, para começar e outros até
que ficasse satisfeito.
Desta vez não se
aproximaria, não o tocaria, não falaria com ele, não aguentava mais mudanças em
sua vida.
Olhava para o homem quando
tudo aconteceu. Quando se deu conta, viu dois homens no chão e dois gigantes
diante do homem.
"...para quem vem do deserto. Ninguém vem do deserto."
ResponderExcluirMuito legal! Excerto estiloso!
A estória está ganhando complexidade...